Naomi Watts e Tom Holland em "O Impossivel".
Não é de
hoje que surge uma surpresa nos cinemas em tempo de fim de ano. ”O
Impossível”(Impossible/Espanha,2012), segundo longa metragem do diretor Antonio
Bayola, está nessa condição. Relata um caso real ocorrido durante o tsunami que
assolou alguns países asiáticos em dezembro de 2004. O fato prendeu-se à
situação de um casal espanhol (no filme toma a nacionalidade norte-americana)
que estava passando férias em um resort na Tailandia e foi surprendido pelas
ondas gigantes que separaram pai, mãe e três crianças.
O roteiro
de Sergio G.Sanchex cobre não só o desastre natural em si como se dedica a
observar a família de turistas. Esse é o motivo pelo qual o filme não se
enquadra na fórmula de “disaster movie” que em Hollywood tem tradição. Os
autores (roteirista e diretor) preferem mostrar uma onda gigantesca separando
pessoas, o que essas pessoas sentem, o drama que é buscar um e outro em meio a
um cenário de caos.
O título “O
Impossivel” vem de uma conversa de um dos filhos do casal focalizado, amante de
astronomia, ao ser flagrado na contemplação das estrelas por uma sobrevivente
da catástrofe recebendo desta (um pequeno papel da atriz Geraldine Chaplin)
informações sobre estrelas que morrem e ainda são vistas, pois a luz emanada
por elas custa a chegar a Terra. “- Elas estão mortas, mas não é impossível
deixar de vê-las”.
É um
filme de diretor. Digo assim, pois não há em meio aos atores circulando em pequenos
papéis e até aos extras, uma pessoa do elenco que se diga fraca. Além de uma
extrema dedicação ao desempenho de Naomi Watts (certamente nominada para o
Globo de Ouro), e da revelação que é o garoto Tom Holland (que protagoniza
Lucas o filho mais velho do casal no qual são centradas as atenções), todos
satisfazem. E emocionam. Há uma crise de choro de Ewan McGregor ao telefone, na
busca pela esposa Maria (Naomi) e o filho mais velho desaparecidos, que é um
desafio para qualquer ator (mesmo porque é focalizado em close demorado). E os
pequenos Oaklee Pendergast (Simon) e Samuel Joslin (Thomas) também enfrentam
planos próximos com uma desenvoltura excelente sem que denote aquela marca de
“criança prodígio”.
A
produção é realmente o grande forte nesse filme constatando-se isso em cada
sequência. O tsunami em si, com a técnica do CGI dando o recado, não é
novidade. Hoje, a computação gráfica faz milagres. Mas a multidão de feridos em
um hospital, o exército de coadjuvantes e extras em circulação, tudo num
ambiente que sugere o local dos acontecimentos, é de impressionar. Se não fosse
isso o filme não seguiria um caminho afetivo muito forte. Cada figurante
espelha um momento de angustia e o que se vê são pessoas ajudando para minorar
sofrimentos. O caso especial de Maria(Naomi), muito ferida e com a perna perto
de gangrenar, é impressionante. A máscara da atriz e a dedicação do filho Lucas
(Thomas) tende a ser um impacto aos espectadores. E a busca do pai pelos seus
familiares é digna de um suspense que deve ter sido enxertado no roteiro para
ritmar o drama, mas, essa sequencia tende a aumentar o impulso sentido pelos
tipos, o que aparece além do maremoto causador de toda a ação.
O diretor
havia realizado, anteriormente, o filme de terror “O Orfanato” (El Orfanato/2007)
circulando por aqui somente em DVD. Em entrevista ele contou que soube do
tsunami asiático pela TV quando se limitava a fazer clipes e curtas
experimentais. Sempre desejou filmar o tema e para isso passou a pesquisar,
encontrando testemunhas e visitando os locais dos acontecimentos. Fez este
filme que abre brecha entre os bons programas lançados em Belém este ano.
Constate indo assistir.
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