Fábio Porchat e Miá Melo em "Meu passado me condena".
“Victim” (1961) foi o filme dirigido
por Basil Dearden (1911-1971) que no Brasil recebeu o titulo de ”Meu Passado me
Condena”, protagonizado pelo ator Dirk Bogard (1921-1999) como um advogado que
se lança na luta pela absolvição de um homossexual na Inglaterra homófoba.
Também é o título da série de TV com Fabio Porchat, ator que encabeça o elenco
desta comédia nacional ora nos cinemas (a diferença foi colocada num subtítulo:
”o filme”).
Produzida por Mariza Leão e dirigida
por Julia Rezende de um roteiro de Porchat, Tati Bernardi e Leandro
Muniz focaliza-se um casal (Fabio/Porchat e Mia/Mia Mello) em lua de mel num
luxuoso transatlântico em linha Rio-Itália com escalas em Salvador e Marrocos.
O noivo procura gastar apenas o que oferece o pacote de viagem adquirido, ciente
de suas parcas possibilidades financeiras. A noiva esbanja alegria e as coisas
só resvalam por problemas quando ela encontra um ex-namorado hoje bem sucedido
(Beto/Aejandro Chaveux) e Fabio, por coincidência, vê na esposa deste uma
garota (Laura/Juliana Didone) que se mostrou arredia quando ele era adolescente
e sofria bullying, na escola. Mas ele amava secretamente a também adolescente.
A comicidade da história está na luta
dos noivos para manter o sentimento que os levou ao altar e o comportamento de
todos (eles e os que encontram como figuras importantes de seu passado) no
transatlântico que os abriga com um luxo acima do poder de sua classe social.
Também há um outro elemento na comédia
quando surge em Marrocos, o antigo colega de escola do recém-casado conhecido
como Cabeça (Rafael Queiroga), um tipo brincalhão que não vê hora de se
intrometer na vida do amigo desimportando-se de que ele, agora, é marido novo.
O filme tem suas vantagens no meio da
produção nacional atual: não apela para recursos fáceis como o sexo e o dialogo
chulo, nem exorbita a fórmula de comédia (pode-se dizer chanchada) com
introdução de sequencias estranhas ao argumento básico (fosse uma produção dos
anos 1950 e teria números musicais intercalados à ação).
Mas não se peça muito mais do que está
nas telas. Com o único objetivo de divertir, “Meu Passado me Condena” é uma
espécie de programa televisivo com os comediantes esforçando-se nas suas
atuações. Nada que se peça como profundidade temática ou mesmo esmero artesanal
além do que se faça para ser entendido por qualquer plateia.
A pergunta que é feita para uma
produção desse tipo é sobre quem se diverte mais: os atores, numa viagem
patrocinada pelos produtores do filme, ou a plateia que os vê nas situações
cômicas? Porchat parece natural na sua experiência de TV (o show com o título do
atual filme é programa de um canal de TV por assinatura). Bonita e expansiva,
Miá apresenta-se muito bem na pele da jovem noiva entre dois amores, além de
muitos momentos embaraçosos para colocar cada um em seu lugar. Já a intervenção
de Rafael Queiroga é o apêndice da caricatura. Ele e outros colegas de Fabio
lembram uma vertente da comédia atual: a linha “Se Beber Não Case”(The
Hangover), e a versão australiana “Depois dos 30”(A Few Best Men, 2011).
O filme é o mais procurado da produção
nacional este ano, reforçando a tese de que o gênero comédia ainda é o
preferido do público brasileiro. É um bom sinal sabermos que este público está interessado
na criatividade doméstica como seus avós faziam (nem digo os pais, pois a
pornochanchada dos anos 70 perdia para as comédias carnavalescas de antes). O
problema é que está se estabelecendo um cinema de gênero. E "Meu passado..." é uma amostra desse gênero.
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